terça-feira, 29 de junho de 2010

Um desabafo

A poesia que indubitavelmente inebria a todos tem se moldado aos contornos com os quais desenhamos nossa jornada, mesmo que tal arte não seja fruto de nossas mãos, não diretamente, pelo menos.
Não podemos desmerecer versos brancos, longe disso, jaz neles uma fria beleza que entontece aqueles que se permitem a entrega. O fato é que os versos que tecem os refrões de nossos momentos não são brancos, são pálidos, e isso independe de nosso ponto de vista, é uma questão de prática do “ser realista”, ou mesmo, uma observação de quem de fora enxerga o mínimo do interior, a superfície deste.
Ao falar em realismo parece que uma fina lâmina fere a vista daqueles que lêem esse escrito, no entanto, ser realista não significa necessariamente algo ruim, longe disso. Vale dizer que é importante manter a sensibilidade, permitir-se enxergar o que acontece e, ainda assim, encarar os fatos com a ousadia de quem sonha e se permite a rotineira aventura, por que não falar em epopéia, de seguir rumo às realizações dos sonhos.
Sejamos tão somente conscientes. Repensando nossos próprios conceitos, claro.
Hoje ao assistir o jornal deparei-me com um trágico capítulo do livro das vidas de tantos que nem sei... Uma tragédia, um “dilúvio”, mortes, vidas, histórias, partidas, políticas públicas, investimentos norteados por quem, homens que simplesmente sofreram por serem fruto das escolhas daqueles que decidiram romper com a geografia, desafiar a natureza, construir e povoar sem um pensamento estratégico, lógico, inteligente, humano.
Certo... De quem é a culpa? Existe um culpado?
O dia amanheceu frio e pessoas sem casa, abrigo, conforto, segurança, parentes, amigos... Paliativos são bem vindos, a fome urge agora, mas... E amanhã? Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco... Quem(S) assinou a autoria do mapa das catástrofes contemporâneas? A natureza? O Governante? O cidadão?
É, penso que hoje não são versos livres que me povoam, talvez alguns presos no fio que tece o destino de tantos, posto que liberdade é algo que vai além do pensamento, anseia vôo.
Fechemos os olhos e pensemos juntos: O que escrevemos hoje para lermos no amanhã... contos heróicos, poemas românticos, histórias de terror, dramas, suspenses? O que, no futuro, gostaríamos de ler em uma notícia de jornal?
Que fique claro, fazemos parte desse quebra-cabeça diário que faz a sociedade ser como é, a nossa mais fiel semelhante. Então, como catalogaremos os nossos valores? Eles são os reflexos daqueles que nos representam... Como desenvolveremos nosso pensar, nosso intelecto? Baseado no agora ou nas conseqüências de um amanhã, que bonito ou feio será vivenciados por nós e por outros...
Escrevo tudo isso por uma questão de consciência?! Não, de amor. (é suficiente?!)

quinta-feira, 11 de março de 2010

Poucos com tanto e tantos com tão pouco.

Cotidianamente a verdadeira face do mundo se faz concreta diante dos nossos olhos, não sendo feia ou bonita ela simplesmente é de acordo com o modo com que a encaramos. Mas isso faz de nós pessoas melhores? Isso de olharmos e encaramos a realidade com base no que cremos certo ou melhor, com base no que estamos nós, unicamente nós, a viver?

O que é humanidade? Qual o limite da ambição e do egoísmo?

Uma das coisas mais complexas que existe é enxergar o modo de vida do outro como sendo este. Complexo mesmo é olhar, e se manter focado no outro sem se perder de si, saber que é importante a singularidade e o todo. Viver sem excessos, viver distante da escassez.

Algumas pessoas pensam que o tamanho delas é medido em centímetros, outras pensam que é pela quantidade de dígitos constantes no montante de sua conta, há quem pense que importante é se você foi bom pai, marido, filho, irmão... Que importante são os vínculos entre as pessoas, a profundidade dos laços, a amizade... O amor vivido, os amores, a sinceridade com que a pessoa se entregou aos os sentimentos. Que importante é ser solidário, ético, essencialmente humano. Bom, há pessoas que pensam, outras que são, algumas que pleiteiam ser e outras que vão se lapidando, se descobrindo, o fato é que não há quem nada pense ou seja, ou não viva, enfim.

Com tudo isso volta à questão, qual o sentido de tantos terem tão pouco e poucos terem tanto? Quais os valores que norteiam as relações humanas? Qual o mérito de se aferir o grandeza de acordo com uma relação de custo-benéfico, de lucro e contenção de gastos, sem lembrar que o mundo não gira em torno do próprio umbigo, sem se lembrar da importância da humanidade, esquecendo do parasitismo que consiste na busca de um passível/possível mercado consumidor e de um local detentor de uma mão-de-obra barata. Qual o sentido dos grandes se sentirem grande, sendo tão podre a estrutura, sendo tão frágil seu sentido?

O homem consegue, não sendo humano, matar os outros por falta de solidariedade, castrar os outros na nascente dos próprios sonhos, na alvorada da perspectiva de uma vida digna. Repensar a humanidade é salutar, porém pouco eficiente. Reagir, semeando a semente (permitindo a redundância) da humanidade, é um passo a frente diante de um mundo no qual ser forte economicamente, ou mesmo belicamente, é o que faz grande um país, grande uma nação.